"Drawn-in-darkness", 2009
Técnica mista - 42 x 59,3 cm
Partir nunca foi fácil. Quando partimos de um lugar, fica sempre uma sensação de que deixamos algo para trás. Na verdade, essa é a sensação de quem leva tudo consigo e se possível um pouquinho mais. Mas partir faz tão bem quanto chegar e chegar pode ser tão mais difícil quanto ir.A viagem começa na mente, no desejo e na expectativa do desejo. Na verdade, aquilo que planeamos nunca deixa de ser uma teoria até que seja posta em prática e verificável através de todos os sentidos do nosso corpo. A viagem nunca é uma linha recta, nunca é um plano, mas aquilo que nos surpreende nesse caminho traçado.Planear a Índia é fácil, chegar nem sempre o é.
Chegar não tem sido fácil. Por entre os contratempos do mundo, cumprimos horários e julgamos (in)certezas. Esperamos sempre que nada tropece pelo caminho, que siga tudo assim, bem direitinho como uma fila indiana. Mas eu descobri, que a filas indianas, não são direitinhas, alinhadas ou ordenadas. São movimentos celulares compostos, semelhantes a camadas de pele que se formam e deformam como fractais.