sexta-feira, 6 de novembro de 2020

"Adeus", 2008 - "Entre partidas e chegadas" || "Contratempos", 2019

2008

"Adeus", 2008 
 Grafite - 42x 59,3 cm


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ENTRE PARTIDAS E CHEGADAS

Partir nunca foi fácil. Quando partimos de um lugar, fica sempre uma sensação de que deixamos algo para trás. Na verdade, essa é a sensação de quem leva tudo consigo e se possível um pouquinho mais. Mas partir faz tão bem quanto chegar e chegar pode ser tão mais difícil quanto ir.
 A viagem começa na mente, no desejo e na expectativa do desejo. Na verdade, aquilo que planeamos nunca deixa de ser uma teoria até que seja posta em prática e verificável através de todos os sentidos do nosso corpo. A viagem nunca é uma linha recta, nunca é um plano, mas aquilo que nos surpreende nesse caminho traçado.
 Planear a Índia é fácil, chegar nem sempre o é.


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CONTRATEMPOS


 Chegar não tem sido fácil. Por entre os contratempos do mundo, cumprimos horários e julgamos (in)certezas. Esperamos sempre que nada tropece pelo caminho, que siga tudo assim, bem direitinho como uma fila indiana. Mas eu descobri, que a filas indianas, não são direitinhas, alinhadas ou ordenadas. São movimentos celulares compostos, semelhantes a camadas de pele que se formam e deformam como fractais.

  Tanto sei o que me fez querer ir,  como aquilo que me faz quer chegar. E a expectativa borbulha a cada etapa que concretizo. Ainda assim, não é a minha vontade que vai levar avante o mundo, nem sequer um pensamento positivo mudará o rumo alheio. Resta-me aguardar, aceitar e apreciar que esta viagem não tem um fim definido e que as ondas não escolhem quando chegam à praia.

Rahel Osório
"Um poema indiano - Estórias de viajantes", Índia 2019