"Polaroid", 2008
Ténica mista, 42 x 51 cm
***
Chegar não tem sido fácil
Chegar não tem sido fácil. Por entre os contratempos do mundo, cumprimos horários e julgamos (in)certezas. Esperamos sempre que nada tropece pelo caminho, que siga tudo assim, bem direitinho como uma fila indiana. Mas eu descobri, que a filas indianas, não são direitinhas, alinhadas ou ordenadas. São movimentos celulares compostos, semelhantes a camadas de pele que se formam e deformam como fractais.
Tanto sei o que me fez querer ir, como aquilo que me faz quer chegar. E a expetativa borbulha a cada etapa que concretizo. Ainda assim, não é a minha vontade que vai levar avante o mundo, nem sequer um pensamento positivo mudará o rumo alheio. Resta-me aguardar, aceitar e apreciar que esta viagem não tem um fim definido e que as ondas não escolhem quando chegam à praia.
Enfim, as viagens são para isso mesmo.
Elas não são um movimento puramente físico ou geográfico e nunca têm só uma direção. Aliás, são um exercício cruamente atlético e emocional. A rotina devora-nos. Franqueando a mente, ela deixa-nos imunes e é preciso fugir, portanto! - enfrentar o desconhecido porque só aí, quando nos tiram o chão é que nos damos conta que sabemos voar.
E voltar tem mais mil e outras descobertas. Tudo o que estava, mas já não ao nosso alcance, por uma cegueira desgarrada entre os minutos as horas e as certezas dos dias, ganha luz e sabor. É como se saindo do lugar, te ensinasses novamente a ajustar - como cada célula à sua função.
E porque também, não são os lugares! Nenhum lugar é perfeito para todos os momentos e expetivas.
Mas a Índia revelou-se e foi-me revelando. E assim, porque encontrei lá uma parte de mim, ela voltará a ser um novo regresso!
Elas não são um movimento puramente físico ou geográfico e nunca têm só uma direção. Aliás, são um exercício cruamente atlético e emocional. A rotina devora-nos. Franqueando a mente, ela deixa-nos imunes e é preciso fugir, portanto! - enfrentar o desconhecido porque só aí, quando nos tiram o chão é que nos damos conta que sabemos voar.
E voltar tem mais mil e outras descobertas. Tudo o que estava, mas já não ao nosso alcance, por uma cegueira desgarrada entre os minutos as horas e as certezas dos dias, ganha luz e sabor. É como se saindo do lugar, te ensinasses novamente a ajustar - como cada célula à sua função.
E porque também, não são os lugares! Nenhum lugar é perfeito para todos os momentos e expetivas.
Mas a Índia revelou-se e foi-me revelando. E assim, porque encontrei lá uma parte de mim, ela voltará a ser um novo regresso!
Estórias de viajantes .:. Índia, 2019

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